Martinho Lutero vis-à-vis o Método Histórico-Gramatical e o Método Histórico-Crítico
DOI:
https://doi.org/10.46859/PUCRio.Acad.ReBiblica.2596-2922.2025v6n12a05Palabras clave:
Martinho Lutero, Métodos Históricos, Reforma Protestante, TeologiaResumen
Mais que professor, Lutero era um leitor da Bíblia. E tão importante era para Lutero seu amor pela Bíblia que, embora a Teologia Bíblica enquanto ciência tenha surgido a partir da palestra proferida por Johann P. Gabler na Universidade de Altdorf, em 30 de março de 1787, pode-se dizer que Lutero era um “teólogo bíblico” em mais de um sentido. Isso levanta o seguinte questionamento: se confrontarmos Lutero vis-à-vis o Método Histórico Gramatical, suas contribuições são inegáveis. Por outro lado, e quanto ao Método Histórico-Crítico? Mesmo distante dois séculos, haveria alguns indícios, alguns caminhos apontados, algumas “sementes” plantadas? Por isso, para responder a esta pergunta desafiadora, o presente artigo procura “confrontar” Lutero vis-à-vis tanto o Método Histórico Gramatical quanto o Método Histórico-Crítico. Para tal, primeiramente se procederá a uma conceituação tanto do Método Histórico Gramatical quanto do Método Histórico Crítico. Com essas conceituações, será mostrado que o Método Histórico-Crítico, ao invés de ser compreendido como “rival” do Método Histórico-Gramatical, pode ser compreendido como um aprimoramento e desenvolvimento deste – pelo que as “sementes” plantadas por Lutero para o Método Histórico-Crítico tornar-se-iam mais evidentes.
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